quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Botões


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Upload feito originalmente por Mááh :)
Estava tirando algumas roupas velhas do armário de nossa velha casa no interior. Arrumando as coisas desde que o Tio Aprígio havia falecido. Nunca é fácil lidar com lembranças, ainda mais quando são tão recentes. Foi quando encontrei a velha camisa do bisavô. Uma camisa que passaria por uma camisa qualquer senão fosse por um detalhe. Uma camisa de tecido e manga comprida de oito botões: 7 de chifre de boi e um de couro, revestido de tecido trabalhado com pequenas rendas.
Eu tinha 5 anos quando minha bisavó morreu em uma grande cheia que houve na cidade. Já fazia três dias que não parava de chover, a não ser por algumas breves tréguas onde o céu permanecia tão nublado que não dava para saber que horas poderia ser. Foi então que a Barragem Dona Francisca rompeu. Meu bisavô vinha caminhando pela Ponte do Jucaí, voltando da missa com minha bisavó quando escutou um barulho intenso, como se as próprias nuvens tivessem descido até a rua. Voltou-se para o rio e o que viu foi como se o Jucaí tivesse levantado e começado uma corrida até o mar.
Subitamente sentiu a mão de minha bisavó fugir-lhe à sua e num ato de reflexo agarrou a primeira coisa que podia ainda prendê-la. Era tarde. As águas já haviam levado minha bisavó deixando na mão do bisavô apenas o pequeno botão do vestido que ela usava. O vestido que o bisavô lhe dera de presente no último aniversário de casamento. O vestido que foi a última coisa que o bisavô sentiu esvair-se naquele dia, ou tarde.
Esse botão ele costurou na sua melhor camisa. Camisa que ele usou sempre, depois dessa data. Data que a água egoisticamente levou a bisavó para seu leito. Essa história quem me contou foi meu pai, pois pouco tempo depois o Ceifador veio buscar meu bisavô. Talvez por um pedido especial da minha bisavó. Ela que sempre dizia que "cedo ou tarde, tudo nessa cidade acaba no rio".

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I was pulling off some old clothes from the closet of our old house at the countryside. Getting in order the stuffs since my dear uncle Aprigio had died. Never is easy to deal with memories, even more when they are so recently. It was when I found the old t-shirt of my great-grandfather. It would be an usual t-shirt, but for one particular characteristic. It was a long-sleeved shirt with eight buttons: seven made of bull horn and one of leather, coated in a tissue worked in a delicated knitting.
I was five years old when my great-grandmother went dead on a big flood in that city. It was raining for about three days constantly, excepted for one or another pause, where even without the rain the sky were dark enough to doesn't let we know what time were it. So the Dona Francisca Dam broke. My great-grandfather was coming from the church, passing through the bridge above the Jucaí River, with my great-grandmother when they heard a big noise, just as if the clouds themselves had came to earth. He turned around to the river and what he saw was if like the water had stood up to run to the sea.
Suddenly he felt the hand of my great-grandmother away from his hand and on an act of reflex tried to catch wherever he could hold her. But it was too late. The water had already took her away, letting on my great-grandfather's hand only a little button from her dress. The dress that my great-grandpa gave her at their last marriage birthday. The dress that was the last thing which my great-grandpa felt going away that day, or evening.
This little button he sews on his best t-shirt. A t-shirt that he used every day after that date. The date when the water selfishly took great-grandma to its bed. This history was told me by my father, because little time after my great-grandma had gone, the Grim Reaper came to take great-grandpa. Maybe it was a special request from great-grandma. She that always used to say "son or later everything in this town ends in the river".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Friendship never dies...


Kri...
Upload feito originalmente por Guzma
Ela surgiu ao acaso. Sem nenhuma regra lógica ou sentido. Mas as melhores coisas que acontecem em nossas vidas vem assim, sem nenhum sentido. Ao menos que tenha algum para nós. Senão apenas pelo desejo de desfrutar o não-planejado. Era um tempo em que você era apenas uma sombra escura para mim. Não via teu rosto. Apenas mergulhava os olhos nas palavras que me escrevia. Ainda assim saberia que você seria preciosa.
Então um dia sua forma foi esculpida. Colocada de forma casual. Do mesmo modo como tudo termina de forma casual, cedo ou tarde, nessa cidade.
Nunca percebi como podia ter te ajudado. Talvez até ajudado a mim mesmo. Era tudo muito vago. Como vago foi o tempo que nos distanciamos. Mas não queria que você estivesse distante. Eu sei... Egoísmo meu. As vezes tudo fica muito amargo. Minha culpa, acredito. Pelo menos sinto que é. Normalmente não consigo te decifrar.
Queria me esforçar mais. Te ver mais. Te ajudar mais. Te escutar mais. Não saímos muito. Acho que consigo numerar as vezes que estivemos ou saímos juntos. Pelo menos ainda lembro cada lugar mesmo que os detalhes me fujam. Logo caminhos diferentes nos distanciram. Não deveria, eu sei, mas não fiz nada para que fosse o contrário. E foi quando eu soube então que você havia adoecido que descobri que você era preciosa para mim. Rezei por você. Quis estar mais perto. Ainda assim não estive. Por desencontros em nossas rotinas ou talvez apenas por não ter tentado com mais vontade.
Mas ainda continuo rezando por ti e para ti. Mesmo que tudo termine um dia de modo casual, nossa amizade não termina assim. Mesmo que um horizonte sombrio esteja a nossa frente.

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She appeared suddenly. Without a rule, logic or sense. But the best things in our lives come like this, with no sense. At least without any sense for us. Just for the simple wish to enjoy the unplanned. It was a time when you were just a shadow for me. I couldn't see your face. I just dip my eyes in the words that you wrote me. And still that I would know that you would be precious to me.
And then one day your shape was caved. Posted on a casual way. As the same way everything ends on a casual way, soon or late on this city. I never noticed that I could had helped you. Maybe helped me at the same way. Everything was too vague. As vague was the time which tears us apart. But I didn't want you far. I know... My selfishness. Sometimes everything becomes bitter. My fault, I do believe. At least I feel like that. Normally I can't decipher you.
I wanted to do more. See you often. Help you often. Listen you often. We never go out frequently. I guess I can count how many times we were together or went out together. But at least I remember all those places, even that the details escape from my mind. Suddenly different paths apart us away. It shouldn't, I know, but I didn't efforts to all gone different. And then I knew that you got sick and how you were precious for me. I pried for you. I wished to be close. But I didn't. Because of mismatches in our routines or maybe just because I didn't tried harder.
But I still pray for you and to you. Even if everything ends one day on a casual way, our friendship didn't. Even that a dark horizon stays on our way.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quando senti tua falta...


:c
Upload feito originalmente por Mááh :)
Quando senti sua falta te procurei primeiro dentro de casa. Comecei pela sala, lá no sofá, onde costumávamos a assistir filmes, comendo pipoca dentro de uma bacia. Filmes que rimos juntos, que choramos juntos. Procurei na cozinha, entre nossas receitas que tantas vezes adaptamos. Nunca
seguimos receitas como elas estão descritas mesmo. Entre os pratos sujos na pia, que eu geralmente esquecia de lavar. O quarto foi o pior lugar em que procurei. Muitas lembranças. Não consegui procurar lá por muito tempo. Doía muito.
Quando senti tua falta te procurei fora da casa. Fui para o quintal. Lá onde fizemos tantos churrascos com amigos e família. Onde algumas vezes eu bebia a mais da conta e você me levava para o quarto. E eu dormia. O quintal que você tanto cuidava. Todas as plantinhas que compramos juntos. Até a nossa primeira plantinha. Lá... Como cresceu. Quase posso sentir que elas também te procuram. Te procurei na rua. Esperando que fosse você a cada uma que dobrava a esquina.
Quando senti tua falta te procurei em todos os lugares. Parques, praias, estradas, galerias... Todos aqueles lugares que um dia fizeram parte de nossas vidas. Você não estava em nenhum deles mais. São lugares que nem sei se um dia vou querer voltar lá. Pelo menos hoje não quero voltar lá.
Não quero, pois não vou te encontrar lá. Mas tem um lugar que sei que vou te encontrar... Ainda assim não consigo te abraçar, sentir seu toque e ouvir tua respiração. Porque dentro de mim restou apenas tua imagem, uma caixa cheia de lembranças e um grande espaço vazio.

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When I missed you I first looked for you at home. Starting from the living room, there on the sofa, where we used to watch movies, eating popcorn inside a large pot. Movies that made us laugh together, that made us cry together. I looked for you in the kitchen, between our recipes that we
adapted so many times. We never followed the script anyway. Between the dirty dishes, that I forgot to clean so many times. The bedroom was the worst of all. So many memories. I couldn't look there for so long. Hurt so much.
When I missed you I looked for you outside home. I went at the garden. There where we made so many barbecues with friends and family. Where so many times I drunk too much and you fondly took me away to the bedroom. And I just followed sleep. The garden that you cared so much. All the little plants that we bought together. Even our first little plant. There... It grew so much. I almost can also feel that they also look for you. I looked for you on the streets. Waiting that were you each one around the corner.
When I missed you I looked for you everywhere. Squares, beaches, roads, stores... All those places that once were part of our lives. You were in no place anymore. Places that I even don't know if I would go back there some day again. At least I know that I don't want to come back there today. I
don't want because I'll not find you there. But there's a place that I know that you'll be there... And even knowing I can't hold you, feel you touch and hear your whisper. Because inside me there's only your image, a box full of memories and a big empty space.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

The Hummingbird...


Boa semana
Upload feito originalmente por Mááh :)
Quando eu era mais jovem sempre passava minhas férias na casa de minha avó no interior. A janela do quarto dava para o quintal. Um quintal bem cuidado. Minha avó passava maior parte do seu tempo cuidando das flores e fruteiras desse quintal. Lá havia um pé de manga, que ficava justamente em frente a minha janela. E lá, em um dos galhos daquela árvore, todos os dias pousava um beija-flor. Aquele fato era bastante intrigante por dois motivos: A mangueira não tinha flores e, sei que eles não passam a vida voando infinitamente, mas particularmente raramente vejo um beija-flor pousado em algum lugar. Aquele pássaro passava horas naquele galho, observando meu quarto. Observando-me. Hoje fico pensando em quantas vezes aquele pequeno beija-flor me viu chorando, quando eu achava que não havia ninguém me observando. Quantas alegrias ele compartilhou comigo. Quantos surtos de raiva presenciou. Lá, quietinho, pequeno e sereno. Não sei se ele ficava ali sempre, independente da época do ano. Não sei o que atraia sua atenção para aquele quarto. Acredito que esse pequeno beija-flor nem exista mais. Assim como minha avó... Assim como aquele quarto... Assim como aquele quintal. Mas de qualquer modo ele fez parte de diversos momentos de minha vida. E de momentos solitários vividos naquele quarto.

When I was younger I used to expend my vocations at my grandma house in the countryside. Through the window of my bedroom I could see the yard. A very well care yard. My grandma used to expend most of her time taking care of the flowers and fruit trees. There was a mango tree, placed exactly in front of the window. And there, on one of the branches, everyday were a hummingbird. That was a very intriguing fact because: one, the mango tree had no flowers and two, I know that hummingbirds don't keep flying infinitely, but I also never saw frequently some resting somewhere. And that bird used to expend hours watching my room. Watching me. Today I figure out how many times that little hummingbird saw me crying, when I was thinking that nobody was seeing me. How many joys it shared with me. How many angry reactions it had witnessed. There, quiet, little and serene. I don't know if it were always there, no matter which season. I don't know what were there, inside the bedroom, to keep it attention. I believe that the little hummingbird even doesn't exists anymore, as my beloved grandma... As that bedroom... As that yard. Anyway it was a part of several moments of my life. And lonely moments lived inside that bedroom.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Procurando uma luz...

Ela olha o horizonte. Lá longe, no brilho do sol que nasce, no brilho de um farol, nas luzes de algum barco ou apenas numa pedra que reluz o brilho de um sol escondido pelas nuvens, busca algo que a direcione. Que lhe dê uma orientação. Perdidos olhos no vazio. Cansados. Sem nenhum brilho para onde seguir... Nenhum brilho em seu olhar.


She looks to the horizon. Far, on the shinning raising sun, on the shine of a lighthouse, on the lights of some ship or even just on a stone that reflect the shine of the sun behind the clouds, searching for something that direct her. That gives her some orientation. Lost eyes into the empty. Tired. Without a light to follow... Without a light into the eyes.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Vidas e Navios...

Entre muitas coisas gosto de comparar a vida a uma embarcação. Um navio ou um pequeno barco tentando navegar para algum lugar. Uma embarcação que muitas vezes navega sem nenhuma orientação, sem mapas ou bússolas. Perdida no meio de um nevoeiro, desviando de rochedos para não afundar. Navegando entre ondas tentando não virar. Imagino-me conduzindo uma pequena embarcação, já que é mais ou menos como muitas vezes levo a vida. Sozinho num pequeno barco. Frágil e minúsculo no meio do mar. Tentando chegar a algum porto. Um lugar para ficar e chamar de lar. Acho, no entanto, cada vez mais que nunca vou encontrar esse lugar. Vou apenas afundar no meio do mar, destroçado contra os rochedos ou engolido por uma onda. E jazer em algum lugar profundo e frio. Sem nunca mais ser encontrado. Quem dera pudesse conduzir meu barco como em um simulador... E depois de afundar apenas apertar o botão "Jogar Novamente"...

video




Among many things I like to compare life as a ship. A large ship or even a little boat trying to sail somewhere. A ship that navigates many times with no direction, no maps or compass. Lost in the middle of a fog, avoiding rocks to don't crash. Sailing on big waves trying not to wreck. I imagine myself navigating a little boat, as I lead my life like this. Alone into a little boat. Fragile and tiny in the middle of the ocean. Trying to reach some shore. A place to dock in and call it home. I guess, anyway, more and more I'll never find that place. I'll just go wreck on the ocean, shattered against the rocks or swallowed by the waves. Just to rest in somewhere deep and cold. Never to be found again. I wish I could conduct this boat as on a simulator... And after I wreck would just push the "Play Again" button...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tágides


Tágides
Upload feito originalmente por Guzma
Então volto às Minas de Almada, para minha Tágide. Aquela que veio a mim através das Portas do Rodão. Dormiu na Barquinha e no Castelo de Almourol para me encontrar no Mar da Palha, no encontro da Cala do Norte e a Cala das Barcas. Ali, naquela mesma doca que te vi brincar tão alegremente nas pequenas ondas.
Foi tu minha Tágide, que em mim criaste um desejo ardente, eloqüente. Tu, uma amiúde corrente em minhas veias. Tu cujo nome grito em som alto e sublime, pois nenhum verso é digno a te exaltar. Mimos... Carícias... Cuidados... Guardei-te onde estive e te levei onde fui. Esperando um dia voltar a te ver.
Desço o rio... Orgulho de Hull... Não te encontro. Não te vejo. Não te sinto... As águas correm vazias. Sem nenhum calor. É fria. Não tem mais a alegria que dantes brincava entre as pequenas ondas. Cinza... Vida guarnecida por lembranças que nem tive. Feridas que tenho que nunca vão curar.

"E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Por que de vossas águas Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipocrene"

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So there I come back to the Almada Mines, for my Tagide*. That one which came to me through the Gates of Rodão. Slept at Barquinha and at the Castle of Almourol to finally find me at the Palha Sea, where the North Cala and the Barcas Cala meets. There, at the same dock where I saw you playing so happy above the little waves.
It was you my Tagide, which inside me created an ardor desire, eloquent. You, a frequent presence into my veins. You which the name I scream loudly and sublime, because no verse is worth to exalt you. Keepsake... Caresses ... Care... I kept you where I've been and where I gone. Wait for one day to see you again.
I go down the river... Pride of Hull... Never find you. Never see you. Never feel you... The river is running empty. No warm. It's cold. There's no joy where the happiness used to play before above the little waves. Grey... Life fulfilled of memories that I never had. Bruises that will never heal.

"And thy, Tagides of mine, created
You had inside me a new burning engine,
If always on humble verses celebrated
Was in me thy river happiness,
Give me now a loud and sublime sound,
A great eloquent and running style,
Because from your waters Phoebe command
To don't be envy to the Hippocrene."

terça-feira, 20 de abril de 2010

Cesse as Conquistas!

Cessem os Gregos, Vikings e Troianos
E as grandes navegações que fizeram.
Cale-se Alexandre, Trajano e Átila
E toda a fama e vitórias que conquistaram.
Que desapareçam Netuno, Marte e Zeus
E toda obediência que o homem os devem.
Cesse tudo, pois nada disso mais importa.

Olho para a vastidão de um nada.
Achas que te olho?
Tudo o que foco é o vazio.
Você, ela, ele...
Calem-se, cessem os olhares, os flertes e qualquer gesto!
Cessem, pois já não me importam!

Trago comigo maior conquista dantes tida pelos homens.
Conquisto a felicidade pura e simples.
Alegria sem motivo ou razão.
Estar feliz por simplesmente sentir-se assim.
Felicidade que não espera decepção ou fim.

Não naveguei, descobri ou conquistei novos mundos.
Não tive vitórias ou honras eternas.
Não tenho quem me deva serviços ou obediência.
Não descobri o amor em uma bela ninfa.
Apenas vi um pássaro, senti a brisa e toquei a água.



Get over the Greeks, Vikings and Trojans
And their great navigation.
Silence Alexander, Trajan and Attila
And their conquest of fame and victories.
Disappear Neptune, Mart and Zeus
And the obey of men to they.
Get over all that, because nothing more matters.

I look to the expanse of the nothing.
Do you think I'm looking you?
All that I look is the empty.
You, her, him...
Silence, because doesn't matter.

I bring with me greater conquest never had from the men.
I conquest the happiness, pure and simple.
Joy without any reason.
Be happy just because you fell like this.
Happiness which doesn't wait deception or end.

I didn't navigate, discovery neither conquest new worlds.
I haven't victories or eternal honors.
I have nobody to serve or obey me.
I didn't discovery the love of a beauty nymph.
I just saw a bird, felt the breeze and touched the water.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Lusíadas - Verso II Canto I

“E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

Grandes conquistas da história são narradas em grandes epopéias. Felizes os povos que tiveram sua história relatadas em poesias, livros ou escritos que passaram através de gerações e gerações, imortalizando suas conquistas. Ilíada, Odisséia, Eneida, a própria Bíblia e muitos outros que traçam a história de Reis, Imperadores e suas glórias.
Apesar de ter sido escrito vários anos depois das Cruzadas, Camões ainda faz referência a essas no segundo verso do seu primeiro Canto dos Lusíadas. A Fé e o Império nas terras viciosas, pagãs, impuras, mais especificamente o mundo Muçulmano, do Rei Salazar, quando os cruzados lutaram para tomar Jerusalém, a Terra Santa. Aqueles que lutassem nas Cruzadas, obra valorosa, receberiam o perdão de seus pecados. A libertação da Morte.




“And also the glorious memories
From those Kings, that gone expanding
The Faith, the Emperor, and the pagan lands
From Africa and from Asia they went devastating,
And those that by valuable work
Are getting free from the Death law:
Singing I’ll spread everywhere
If as much help me the skill and art.”

Great history conquests are singed on big epopees. Happy were those people that had their history related on poetry, books or texts that have been passing by through generations, immortalizing their conquests. Iliad, Odyssey, Aeneid, the Bible itself and many others that draw history of kings, imperators and their glories.
Instead of had been wrote many years before the Crusades, Camões still references it at the second verse of the first Sing of Lusíadas. The Faith and the Emperor at pagan and impure lands, more specifically the Muslim world, of King Salazar, when the crusades fought to take back Jerusalem, the Holy Land. Those whose fight on the Crusades, valuable work, would get the forgiven of their sins. The freedom from the Death.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Novas Terras... Novos Reinos

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

Não existem mais lugares no Mundo para serem descobertos. Não existem mais desbravadores ou aventureiros navegando em mares desconhecidos para terras desconhecidas. Os mapas estão completos.
O primeiro verso do primeiro canto dos Lusíadas conta sobre a partida da esquadra portuguesa, da praia de Restelo no litoral de Portugal ao Rio Tejo. Por mares nunca antes navegados, além de Taprobana. Taprobana é a atual Sri-Lanka. Os navios Europeus faziam traçavam suas rotas somente até a Índia, nunca havendo ido além dela. Mares nunca antes navegados... Faz-me falta a descoberta de novos mares, novas terras. Faz-me falta os desbravadores que foram além da força humana.
A intenção que notrora era expandir o reino, conquistar novas terras e riquezas, a mim bastaria apenas a glória da descoberta. Nem que fosse apenas um pequenino pedaço de terra.


"The arms and the Barons signed
That from the Occidental Lusitanian shore
By seas never sealed before
Passed beyond Taprobana,
In dangerous and wars striving
More than would promise the human strength,
And among remote people they built
New Kingdom, which they so much desired;"
(Lusíadas - Sing I,I, Camões)

There are no more places in the World to be discovered. There is no more pioneering or adventurous sealing into unknown seas to unknown worlds. All maps are completed.
The first verse from Lusíadas tells us about the Portuguese armada departed, from the Restelo beach, on the Portugal littoral near the Tejo River. By seas never sealed before, beyond Taprobana. Taprobana is the actual knew Sri-Lank Island. The European ships used to make their route only until the India, never going beyond it. Seas never sealed before... I miss the feeling of discovering new seas, new lands. I miss the pioneering that gone beyond the human strength.
The goal, that time, was just to expand the kingdom, conquer new lands and treasures. For me would be enough the glory of discovery. Neither that was just for a little peace of land.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dinamene...

Quando de minhas mágoas a comprida


Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.

Lá numa saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro para ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.

Brado: "Não me fujais, sombra benina!"
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,

Torna a fugir-me: e eu, gritando: "Dina..."
Antes que diga mene, acordo e vejo
Que nem um breve engano e posso ter.
(Luís de Camões - Um dos Sonetos escritos a sua amada Dinamene, que morreu em um naufrágio enquanto Camões salvava Os Lusíadas)




When the postponement of my sorrows

When the postponement of my sorrows
On magination the eyes sleep,
On dreams that soul appears for me
And for me was a dream in this life.

There in the missing, where outspreaded
The view on the field dies,
I run to her; And so she seems
That from me she's going far, forced.

I cry: "Don't run from me, good shadow!"
She, the eyes on me with an easy shame,
Like who says that can be no more,

Again she runs: And I, screaming: "Dina..."
Before to say "mene", I wake up and see
That neither a little mistake I can take.
(Luís de Camões - One of the sonets wrote to his beloved Dinamene, who died on a shipwrecked while Camões was saving The Lusíadas)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Desculpas...

Esbarro propositalmente. Derrubo meus livros no chão. Causo o transtorno. Tudo apenas para uma oportunidade de falar com você. Nem que seja apenas um "Desculpe-me". Algo que me dê a esperança de um início de conversa. Algo apenas para ouvir sua voz, ou ficar mais alguns segundos ao seu lado. Faço-o pois não sei o que falar ou como me aproximar. Não sei dizer coisas legais. Não sou legal como as outras
pessoas.
Apanho minhas coisas espalhadas pelo chão, desajeitadamente. Você abaixa-se para ajudar-me. Desejo ficar ali recolhendo coisas por horas. Pegamos a mesma folha de papel, onde em meio a alguns versos seu nome está escrito nela. Nos levantamos juntos e você me entrega tudo o que conseguiu apanhar.
- Me desculpe - falo.
- Idiota - Você responde e continua seu caminho.
Continuo meu caminho sentindo-me mais miserável do que antes e menos esperançoso do que sempre.



I bump into you on purpose. Drop my books and notes on the floor. I do the disruption. All this just to an opportunity to talk to you. Even if just a "I'm sorry". Something to give hope of a beginning of some conversation. Something just to hear your voice, or stay few more seconds near you. I do it because I don't know how to speak or approach. I don't know how to speak something cool. I'm not cool as the others.
I pick my stuffs speared on the floor, clumsy. You come down to help me. I wish to stay there, picking my stuffs for hours. We take the same paper sheet, where between some verses, your name remains there. We stand up together and you give me all the things that you got to pick.
- I'm sorry - I tell you.
- Asshole - You answer and keep on your way.
I take my way feeling more miserable than before and less hopeful than ever.