sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Sunflower



   Clytie was a water nymph, in love for Apollo, which didn’t correspond for her love, and that’s made her languish. She used to stay all day long, set on the cold floor and her braids unleashed on her shoulders. For nine days she remained, without eating or drinking, feeding only with her own tears and with the icy dew. She contemplated the sun, from the time it rose up in the spring to hide in the sunset, after its daily course; She saw nothing else, her face was constantly turning to the sun. After all, it is said, her feet rooted to the ground and her face turned into a flower, which constantly moves on its stem, so that it is always facing the sun in its daily course, thus conserving the feeling of the nymph that gave origin to the flower.

Girassol

 

Clítia era uma ninfa aquática, apaixonada por Apolo, que não lhe correspondia, o que a fez definhar. Deixava-se ficar durante todo dia sentada no frio chão, com as tranças desatadas caídas sobre os ombros. Durante nove dias assim ficou, sem comer nem beber, alimentando-se somente com as próprias lágrimas e com o gélido orvalho. Contemplava o sol, desde quando ele se erguia no nascente até se esconder no poente, depois do seu curso diário; não via outra coisa, seu rosto voltava-se constantemente para ele. Afinal, conta-se, seus pés enraizaram-se no chão e seu rosto transformou-se numa flor, que se move constantemente em seu caule, de maneira a estar sempre voltada para o sol, em seu curso diário, conservando, assim, o sentimento da ninfa que lhe deu origem.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Modularizando a Atualização de Sistema

  Um dos grandes problemas das atualizações de sistemas é o tempo de parada dos mesmos para o usuário final. Principalmente quando essa ação ocorre no Banco de Dados. Quanto maior o volume de dados e quantidade de alterações, mais tempo o sistema irá permanecer offline.
  Foi essa necessidade de diminuir esse tempo que uma empresa a qual presto consultoria de BD me trouxe. Precisávamos bolar uma estratégia de atualização de seus sistemas de modo que o usuário final ficasse o mínimo de tempo sem sistema, ou que o negócio sofresse o mínimo de impacto.
  O grande problema disso é fazer com que a versão do software corresponda a mesma estrutura do banco de dados. Claro, quando essa atualização implica em alterações de estrutura de banco como criação de tabelas, colunas, etc. Em uma atualização a quente, com os usuários utilizando o sistema, você pode até realizar as alterações necessárias no banco, dependendo também do SGBD utilizado, mas vai chegar um determinado momento, em alguma tela, que ocorrerão erros devido a estrutura divergente.
  Pensando nisso sugeri uma alteração no processo de expedição de scripts e executáveis do sistema. Mesmo sua estrutura de dados não ter sido concebida no início para ser modularizado, pensei em uma maneira de tentar modularizar a atualização, afetando apenas algumas áreas da empresa por vez. Desse modo a equipe de TI da empresa que utiliza o sistema também pode programar a parada do mesmo por módulos.
  Por exemplo, se ela tem uma área de recepção, uma área de estoque de produtos, uma área de faturamento e uma área de pesquisa e desenvolvimento eles podem planegar paradas por áreas de acordo com menor impacto ao negócio. Atualizando os módulos de recepção em um horário onde existe menor ocorrência de atendimentos, os módulos de estoque em um horário de menor movimentação de produtos, etc.
  O processo de certa forma é simples. Irá existir uma entrada que será a requisição de atualização. Nessa requisição serão preparados os scripts e executáveis correspondentes. Ai vem a mudança principal. Esses scripts tem que ser modularizados conforme os executáveis que utilizam aquela estrutura. Vai existir um conjunto de tabelas Core, que são comuns a diversos módulos. Essas precisam sofrerem o mínimo de alterações possíveis. Ao redor dessas tabelas Cores devem existir as tabelas que são utilizadas por cada módulo. Como estoque deve possuir tabelas específicas para armazenar informações relacionadas apenas a esse módulo e assim por diante. A saída desse processo serão os Logs de atualização e o produto (e base) atualizados.

  Fizemos uma atualização piloto em um dos clientes dessa empresa e, apesar de alguns pequenos problemas e ajustes iniciais, tudo correu dentro do planejado e o feedback que tivemos foi bastante positivo. Agora é amadurecer e manter o novo processo de expedição para expandir às próximas atualizações. E meu trabalho aqui está terminado!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Echo


And your name will be echoing forever inside me...
 
Echo was a beautiful nymph, a lover of woods and mountains, where she devoted herself to rural distractions. She was Diana's favorite and was her company on her hunts. She had a flaw, though: she talked too much, and in every conversation or argument she always wanted to say the final word.
One day Juno was looking for her husband, who was rightly suspected that was amusing himself with the nymphs. Echo, with her conversation, did entertain the goddess, until the nymphs fled. Realizing this, Juno condemned her in the following words:
- You will only keep the use of that language with which you eluded me for something that you like so much: Reply. You will always say the last word, but you will never be able to speak in the first place.
A few days later the nymph saw Narcissus, a handsome young man, chasing the mountain hunt. She fell in love with him and followed him. How much she wanted to speak to him, to say him kind words and to win his affection! This, however, was out of her reach. She waited impatiently for him to speak first, so that she could respond. One day the young man, having separated himself from his companions, shouted aloud:
- Is anyone here?
"Here," echoed Echo.
Narciso looked around and saw no one, shouted:
- Come!
- Come! Replied Eco.
- Why do you run away from me? Narciso asked.
Eco replied with the same question - Why do you run away from me?
"Let's get together," the young man said.
The nymph repeated the same words with all the ardor and ran to Narcissus, ready to throw herself into his arms.
- Get away! Exclaimed the young man, backing away. "I'd rather die than let you own me!"
"Own me," said Eco.
But all was in vain. Narcissus fled and she went to hide her shame in the recess of the woods. From that day on, she lived in the caves and among the rocks of the mountains. In sorrow, her body languished until the flesh disappeared completely. Her bones turned into stone, and nothing more remained, only her voice. And yet, she's still willing to respond to anyone who calls her. Retaining the old habit of always saying the last word.

Eco

"E teu nome vai pra sempre ecoar dentro de mim..."
 
Eco era uma bela ninfa, amante dos bosques e dos montes, onde se dedicava a distrações campestres. Era favorita de Diana e a acompanhava-a em suas caçadas. Tinha um defeito, porém: falava demais e, em qualquer conversa ou discussão, queria sempre dizer a última palavra.
Certo dia Juno saiu a procura do seu marido, de quem desconfiava, com razão, que estivesse se divertindo entre as ninfas. Eco, com sua conversa, conseguiu entreter a deusa, até que as ninfas fugissem. Percebendo isso Juno a condenou com as seguintes palavras:
- Só conservarás o uso dessa língua com que me iludiste para uma coisa de que gostas tanto: Responder. Continuarás a dizer sempre a última palavra, mas nunca mais poderás falar em primeiro lugar.
Alguns dias depois a ninfa viu Narciso, um belo jovem, que perseguia a caça na montanha. Apaixonou-se por ele e seguiu lhe os passos. Quanto desejava dirigir-lhe a palavra, dizer-lhe frases gentis e conquistar-lhe o afeto! Isso, contudo, estava fora do seu poder. Esperou, com impaciência, que ele falasse primeiro, afim de que pudesse responder. Certo dia então, o jovem, tendo se separado dos seus companheiros, gritou bem alto:
- Há alguém aqui?
- Aqui - Respondeu Eco.
Narciso olhou em torno e não vendo ninguém, gritou:
- Vem!
- Vem! - Respondeu Eco.
- Por que foges de mim? - Perguntou Narciso.
Eco respondeu com a mesma pergunta - Por que foges de mim?
- Vamos nos juntar - Disse o jovem.
A donzela repetiu com todo ardor, as mesmas palavras e correu para junto de Narciso, pronta a se lançar em seus braços.
- Afasta-te! - Exclamou o jovem, recuando. - Prefiro morrer a te deixar possuir-me!
- Possuir-me - disse Eco.
Mas tudo foi em vão. Narciso fugiu e ela foi esconder sua vergonha no recesso dos bosques. Daquele dia em diante passou a viver nas cavernas e entre os rochedos das montanhas. De pesar, seu corpo definhou até que as carnes desapareceram completamente. Seus ossos transformaram-se em rochedos e nada mais dela restou além da voz. E mesmo assim, ela ainda continua disposta a responder a quem quer que a chame. Conservando o velho hábito de sempre dizer a última palavra.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

The boy Felipe



I heard this history in one CD of Father Airton Freire, from Fundação Terra. It’s one of the gifts that I always receive together with the bills that we use to do donations for this foundation. The track name is exactly that, “Felipe”.

Felipe

And so happened that in the end of June, was, myself, standing around 15Km from Arcoverde, Felipe came.
- It wasn't possible that kid had arrived here! - That was my first thought.
The place has nothing. No car was arrived. It was around the ninth hour, 15 o'clock. The time when there's beginning the mercy asking, in the time of our Lord. He had his feet bleeding and scared eyes. A children with a weak body, figured by the hungry. He was using only a red color shorts.
My biggest concern was that Felipe was only seven years old. I asked him:
- Felipe, how did you get here?
- On feet...
- Who came with you?
- I came Alone...
- What time did you get out from your home?
- Very early... It was still dark.
- Did you already eat today?
- No. Nothing...
- What did you come to do here?
- I came only to be near you...
- "Estrupiado"?
- Yeap...

"Estrupiado" is a word used in the Sertão of Pernambuco (desert region from state of Pernambuco) that means that, for had walked so much, you’re so hurt that you can't walk anymore.
I put Felipe on my arms. The blood footprints were in the floor. I shed water, vinegar and salt on his feet and yet he didn't cry.
Once he had fed, we covered the floor with a towel and he, who could no longer walk, stood silent, watching. He looked at me with eyes wide opened, as if waiting to be reproached.
I got closer to him. And looking right into his eyes I told him:
- Felipe, I, your Father, love you.
He, after heard me say that three times, collapsed in tears as he was feeling a great relief or pain. He which didn't cry even in his strength limit, couldn't hold himself there. After walking kilometers, Felipe received as reward the embrace of the Father. And from Himself heard the confession "I love you.". After bleeding, could not hold on himself and cried.  
What didn't make he cry by bleeding his feet, made he cry inside his heart. Son trust. Paternal welcome. Felipe, almost seven years old. Felipe, from today and on, I will watch over you!

Felipe



Escutei essa história em um dos CDs de Padre Airton Freire, da Fundação Terra . Brinde que recebo junto aos boletos de doações que contribuímos. O nome da faixa é exatamente essa, “Felipe”.  

Felipe

Aconteceu que nos finais do mês de Junho, estando eu a cerca de 15km de Arcoverde, Felipe chegou.
  • Não há possibilidade desse menino ter chegado aqui! - Foi este meu primeiro pensamento.
O lugar é deserto. Carro algum havia chegado. Era por volta da hora nona, 15 horas. Tempo em que se iniciam os pedidos de misericórdia, no tempo do Senhor. Ele tinha os pés sangrando e os olhos assustados. Menino de corpo franzino, marcado pela fome. Vestia apenas um calção de cor vermelha.
Minha maior admiração consistia em que Felipe tinha menos de sete anos de idade. Eu lhe perguntei:
  • Felipe, como tu chegaste aqui?
  • A pés…
  • Com quem vieste?
  • Só…
  • A que horas saiste de lá?
  • Cedinho… Ainda com o escuro.
  • Já comeste hoje?
  • Não. Nadinha…
  • O que vieste fazer aqui?
  • Vim só para ficar perto do senhor…
  • Estrupiado?
  • Tô...
   
    Estrupiado é usado no Sertão de Pernambuco para se dizer que, de tanto caminhar, já não se pode mais andar.
    Coloquei Felipe nos braços. No chão ficaram as marcas de sangue. Derramei água, vinagre e sal sobre seus pés e mesmo assim ele não chorou.
    Depois de ter se alimentado, forramos o chão com uma toalha e ele, que não podia mais andar, ficou em silêncio, olhando. Ele me olhava com os olhos bem abertos como se esperasse ser recriminado.
    Aproximei-me dele. E fixando bem eu lhe disse:
  • Felipe, eu, teu Pai, te amo.
    Ele, depois que me ouviu dizer isso por três vezes, desabou num choro como se sentisse grande alívio ou dor. Ele que não chorou, estando no limite do cançasso, não se conteve ali. Após caminhar quilômetros, Felipe recebeu por recompensa o abraço do Pai. E Dele próprio ouviu a confissão “Eu te amo”. Depois de sangrar, não se conteve e chorou.
    O que não o fez chorar ao sangrar os pés, fei-lo chorar ao sangrar o coração. Confiança filhal. Acolhida paterna. Felipe, quase sete anos de idade. Felipe, à partir de hoje, eu velarei por ti!